Constelar - Última edição Astroletiva

ISSN 1808-9895

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Edição 6 - abril de 2008

Imagens da capa: Odisseu oferecendo vinho ao ciclope: cópia em mármore do período flaviano (Museu Chiaramonti). Imagem baseada em fotografia de novela histórica no blog português "Esparta".

 

 


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Um diálogo com o passado através das mídias contemporâneas

Ler o editorial
Carlos Hollanda

 


1- A busca de Odisseu: sociedade e moral na Grécia Antiga sob o olhar de Homero na Odisséia.

Charles Sidarta Machado Domingos
Mestrando em História UFRGS/ PPGHIST
csmd@terra.com.br

 

Resumo:
Este trabalho aborda as influências da cultura grega antiga pra os valores do Ocidente. A fonte privilegiada desse estudo é o livro Odisséia, de Homero. A partir do enfoque dado a três personagens femininas – Penélope, Circe, Nausícaa – pretendemos demonstrar as possíveis articulações que se realizam entre o objetivo principal da narrativa, o retorno de Odisseu, com suas possíveis motivações. Além disso, procuramos estabelecer possíveis tradições e rupturas entre as sociedades antigas e a atual em relação a seus valores morais, tendo como instrumentos de trabalho para essa proposta uma análise centrada na História da Cultura.

Palavras-chave:
Odisséia – História Antiga – Literatura Ocidental – Penélope – Circe – Nausícaa


2- O encontro do cinema contemporâneo com as Histórias de Heródoto: uma análise do filme “300” de Zack Snyder.

Flávia Lemos Mota de Azevedo
Mestre em História, Doutoranda em História,
Professora. UNB / UEMG / FUNEDI
flavialemosmota@yahoo.com.br

Thiago Eustáquio de Araújo Mota
Graduando em História. UEMG / FUNEDI
theamotta@hotmail.com.br

 

Resumo:
Podemos dizer que o filme “300,” um dos últimos sucessos de bilheteria, foi mais um produto da “febre épica” que assola Hollywood desde “Gladiador”. Este recuo a temas da Antiguidade, agora realizado pela industria cinematográfica, talvez se explique por uma necessidade do Ocidente contemporâneo de reencontrar suas bases formadoras, mesmo que isto se faça por meio da “fabrica de sonhos”. Uma incursão sobre o relato de Heródoto nos conduz a “febre épica” de Hollywood, especialmente ao filme “300”, e os possíveis sentidos desse grandioso investimento em momentos fundadores da cultura ocidental. Passa despercebido aos olhos do público que por detrás do filme encontramos o relato histórico de Heródoto. A ambição, a loucura e a incompreensão do déspota oriental, Xerxes, assim, como a bravura e a obstinação grega na defesa de sua liberdade, do seu regime democrático, foram descritas pelo ‘pai da história’.

Palavras-chave:
Heródoto, democracia, despotismo, loucura, cinema, representação


3- Bárbaros antigos ou modernos?

Michel Silva
Graduando de História – UDESC
michelgsilva@yahoo.com.br

 

Resumo:
Pretende-se neste artigo analisar a construção do discurso sobre os persas – chamados “bárbaros” pelos gregos – no filme 300. Partindo da idéia de “orientalismo”, de Edward Said, procuraremos demonstrar os aspectos anacrônicos da representação que o filme faz dos bárbaros, expressando aspectos políticos contemporâneos, estranhos aos gregos antigos.

Palavras-chave:
Batalha nas Termópilas; bárbaros; orientalismo; Pérsia



4- Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 - 1910)

Natania A. Silva Nogueira
Professora da Rede Pública Municipal de Leopoldina (MG)
natanianogueira@yahoo.com.br

 

Resumo:
O carnaval é uma festa popular que já se tornou uma marca característica do Brasil. O que poucos sabem é que sua história está relacionada a uma mídia que há mais de um século se faz presente no nosso cotidiano: as histórias em quadrinhos. Neste texto, iremos fazer uma breve investigação sobre a história dos carnavais e o carnaval nas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil, tendo como locus a obra de Angelo Agostini, pioneiro nos quadrinhos brasileiros.

Palavras-chave:
Carnaval, história, histórias em quadrinhos


5- Uma introdução sobre o conceito de educação na historiografia medieval: o exemplo do reino visigodo no século VII

Rodrigo dos Santos Rainha
Mestre Programa de Pós-graduação em História Comparada – UFRJ

 

Resumo:
O objetivo deste artigo é discutir os possíveis entendimentos de educação, em especial nos estudos sobre Idade Média. Esta comunicação visa apresentar a pesquisa que estamos desenvolvendo junto ao Programa de Pós-graduação em História Comparada, recentemente aprovada no exame de Qualificação. Neste texto apresentaremos as bases de nossa pesquisa, privilegiando a apresentação de nosso problema, hipótese e fontes, para que seja possível o entendimento de nossa proposta de pesquisa. Nuanças sobre nosso quadro teórico e balanço bibliográfico, que constam no primeiro capítulo da dissertação, não serão abordados em profundidade, para adequação ao tamanho deste trabalho às regras do congresso. Dessa forma buscamos refletir sobre as perspectivas usualmente adotadas pelos historiadores dedicados ao assunto, que focam seus estudos nas estruturas formais, em especial as escolas, apontando opções e caminhos para o desenvolvimento do tema.

Palavras-chave:
Historiografia, Visigodos, Educação


6- Religião e magia na Idade Moderna no campo historiográfico

Luciano Bezerra Agra Filho
lucianoagra@isbt.com.br
Licenciado em História - UEPB

 

Resumo:
O que vem a ser “magia”? O termo é abrangente, complexo e polissêmico. A fantasia e realidades se misturam nas práticas mágicas. A busca do conhecimento e a luta para se livrarem de uma estrutura opressiva que ameaçavam os seus costumes e tradições, levaram as camadas mais pobres, a produzirem práticas e devoções mágicas. Para estas pessoas e talvez para todo nós, a fantasia se transforma em realidade e a realidade em fantasia no quadro religioso do Ocidente Moderno.

Palavras-chave:
Idade Moderna – Magia – Historiografia


7- A influência de Francisca Gonzaga na música brasileira do Segundo Reinado

Israel Tavares Boff,
licenciado em História pela UNILASALLE
Professor do Colégio Maria Auxiliadora e Concórdia de Canoas.
E-mail: israelboff@bol.com.br

 

Resumo:
O presente artigo quer elucidar a atuação da música da maestrina Francisca Gonzaga, inserida no contexto social do Segundo Reinado e República Velha no Brasil, observando as mudanças sociais causadas pelo pioneirismo e audácia de recriar a música, adotando uma forma genuinamente brasileira.

Palavras-chave:
Música, Segundo Reinado, República Velha


8- Narrativa autobiográfica e mangá: uma análise de "Gen Pés Descalços"

Ana Cristina Gonçalves
Mestranda, FFLCH-USP
linguajaponesa@hotmail.com

Celdon Fritzen
Doutor em Teoria e História Literária - UNESC
celdon@hotmail.com

 

Resumo:
A narrativa autobiográfica tem sido, no último século, objeto de estudos das ciências humanas, da Teoria Literária e da História em particular. É ela também que nos serve de horizonte para a proposição de nosso problema de pesquisa: qual a importância que essa forma de discurso assume nos processos de elaboração da memória, seja ela coletiva ou particular? Essa questão motivou a realização deste trabalho, cujo intuito era poder aclarar como essa forma de comunicação tão primitiva se apresentava contemporaneamente, tendo em vista os novos suportes e linguagens que a modernização disponibilizou. Desse modo, propusemo-nos desenvolver essa problemática a partir da abordagem de um novo gênero da arte seqüencial – o mangá – por meio da investigação da obra de Keiji Nakazawa, Gen Pés Descalços onde, a partir do episódio da bomba de Hiroshima construiu -se uma memória que é tanto referência de um sujeito como também da coletividade em que ele se insere.

Palavras-chave:
Narrativa; Mangá; Autobiografia


9- Síntese da evolução das representações gráficas e a História da animação gráfica do cinema digital

René Gomes Rodrigues Jarcem
Faculdade Ciências Humanas ESUDA

 

Resumo:
A primeira parte deste artigo é uma síntese sobre as representações gráficas. O estudo foi um sub-capítulo do trabalho de graduação deste autor na área de Arquitetura & Urbanismo. Essa síntese fora importante para descobrir quais perspectivas eram usadas e como surgiram. Dentre as perspectivas uma que se sobressaiu no Ocidente foi a perspectiva cônica que é usada por artistas, designers, arquitetos, pintores como meio de comunicação visual. A segunda parte refere-se à história da animação gráfica do cinema até a Era Digital, considerando as três formas de animação possibilitada na tela que são: a animação através de desenhos confeccionados à mão livre, a animação através de bonecos e a animação confeccionada por software. Este artigo foi originado do trabalho acadêmico sob a orientação do professor Dario Brito, correspondente a disciplina de História da Comunicação.

Palavras-chave:
Representação gráfica, perspectiva, comics, animação, desenho, cinema, storyboard


RESENHAS:

CELTAS, HQS E REPRESENTAÇÕES DO PASSADO

Prof. Dr. Johnni Langer – Pós-Doutor em História Medieval pela USP. johnnilanger@yahoo.com.br

Profa. Ms. Luciana de Campos – Doutoranda em Letras pela UNESP. fadacelta@yahoo.com.br

 

A História da Antiguidade sempre despertou grande interesse no homem moderno, especialmente nas representações artísticas. Seguindo o exemplo das artes plásticas, do cinema e da literatura, os quadrinhos vem há tempos utilizando temas relacionados com a Europa antiga como enredo, e o período romano é um dos temas favoritos. Realizado pelo italiano Tito Faraci e o norte-americano Daniel Brereton, o álbum A última batalha é um exemplo deste interesse. A trama tem como palco as batalhas entre romanos e gauleses no ano de 52 a.C., na atual França, tendo algumas cenas transcorridas na capital, Roma. Paralelamente ao desfecho da campanha de Júlio César na Gália, um grupo de amigos - também mercenários, disputam... (leia mais)


Renato Lessa e o “Presidencialismo de Animação”
Reflexões sobre a nossa patologia política

Emanuel Tadeu Borges
Mestre em Psicologia – UFF

 

O segundo capítulo do livro “Presidencialismo de animação e outros ensaios sobre a política brasileira.”, de Renato Lessa (Vieira & Lent, Rio de Janeiro, 2006) inicia-se com o seguinte comentário: "As remotas origens da reflexão política ocidental confundem-se com as primeiras indagações a respeito das melhores maneiras de organizar a convivência política entre os homens. Desde então, o tema do bom governo tem sido de compulsória consideração por parte dos filósofos políticos. A diversidade de respostas seguidamente fornecidas àquelas indagações indica, mais do que a presença de um dilatado e insolúvel dissenso, a relevância e a perenidade do tema. O bom governo – seja ele definido por referência aos deuses, à natureza ou à falível convenção instituída pelos mortais – pode ser considerado como o objeto nobre e incontornável da filosofia política". (o destaque negrito é nosso). Temos neste trecho algo importante acerca do modelo de pensamento (do paradigma) que orienta as reflexões deste autor: o fato de que o tema do bom governo tem sido uma consideração obrigatória ao longo da história da Ciência Política, desde suas “remotas origens”; de que há uma... (leia mais)

 

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2007, História, imagem e narrativas.