Constelar - Última edição Astroletiva

ISSN 1808-9895

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Editorial
edição 13 - outubro de 2011



A visibilidade
da música contemporânea

 

A indústria fonográfica se desenvolveu ao longo do século XX em meio ao forte apelo da indústria cultural/cultura de massas, em torno da produção visual. Estilos artísticos de vanguarda, como o Surrealismo, o Psicodelismo e a Pop Art foram aos poucos ganhando terreno fora das galerias, surgindo em capas de discos de vinil (os famosos "long plays" - LP's), em especial a partir da segunda metade do século.


Ilustração: Carlos Hollanda - 06/10/2011

Seus padrões, ou mesmo a ruptura de padrões que representavam, participaram da formação da identidade de muitos lançamentos musicais de então, passando a permear o imaginário que ali vinha-se formando. Com isso vem a iconização dos músicos, processo que os destaca nas sociedades e, tal qual os astros de cinema, os faz funcionar como referenciais comportamentais, para a moda e, sobretudo, na propagação de idéias. As capas de seus discos acompanham tal desenvolvimento, reforçando as mensagens nas quais se acoplam as ideologias, seduzindo por uma estética condizente com seu tempo e enfatizando um modo de ser, de pensar, de participar da História. Música passou a ser sinônimo de imagem sob vários aspectos e o consumo de obras musicais ganha ares de identificação com um aspecto cultural muito mais do que fruição pura e simples de um efeito sonoro muito agradável.

Iniciamos esta edição de História, imagem e narrativas com um artigo voltado para uma parcela considerável desse processo na indústria da música no Brasil: a produção do rock nacional nos anos 1980, mas passando por referências internacionais anteriores, como os Beatles. O sistema de iconização, de transformação da música e de suas mensagens em visualidade é algo muito amplo, mas aqui temos uma amostra importante do modo como se dá essa associação entre um e outro e sua produção de sentido.

A imagem do professor e das atividades ligadas ao ensino também fez parte do interesse de alguns dos pesquisadores presentes nesta edição. Uma preocupação legítima e necessária num momento em que tantas incógnitas surgem em nosso país, cercado por uma imensa crise econômica e política em todos os continentes e em que os recursos destinados à educação ainda são mínimos, se usarmos de eufemismo.

Por fim, vale destacar a presença de uma análise sobre obras de quadrinhos em sua contemporaneidade com o medo do terrorismo, reflexões sobre o conceito de soberania em estudos de Política e História e uma viagem pela maniqueização e posterior sincretismo das missões ultramarinas européias pela África no contato entre as crenças do colonizador e do colonizado.

Boa leitura!

Carlos Hollanda - editor
Doutorando - PPGAV - Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (EBA-UFRJ)
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
11/10/2011

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História, imagem e narrativas