Seus
padrões, ou mesmo a ruptura de padrões que representavam,
participaram da formação da identidade de muitos
lançamentos
musicais de então, passando a permear o imaginário
que ali vinha-se formando. Com isso vem a iconização
dos músicos, processo que os destaca nas sociedades e,
tal qual os astros de cinema, os faz funcionar como referenciais
comportamentais, para a moda e, sobretudo, na propagação
de idéias. As capas de seus discos acompanham tal desenvolvimento,
reforçando as mensagens nas quais se acoplam as ideologias,
seduzindo por uma estética condizente com seu tempo e enfatizando
um modo de ser, de pensar, de participar da História. Música
passou a ser sinônimo de imagem sob vários aspectos
e o consumo de obras musicais ganha ares de identificação
com um aspecto cultural muito mais do que fruição
pura e simples de um efeito sonoro muito agradável.
Iniciamos
esta edição de História, imagem e narrativas
com um artigo voltado para uma parcela considerável desse
processo na indústria da música no Brasil: a produção
do rock nacional nos anos 1980, mas passando por referências
internacionais anteriores, como os Beatles. O sistema de iconização,
de transformação da música e de suas mensagens
em visualidade é algo muito amplo, mas aqui temos uma amostra
importante do modo como se dá essa associação
entre um e outro e sua produção de sentido.
A
imagem do professor e das atividades ligadas ao ensino também
fez parte do interesse de alguns dos pesquisadores presentes nesta
edição. Uma preocupação legítima
e necessária num momento em que tantas incógnitas
surgem em nosso país, cercado por uma imensa crise econômica
e política em todos os continentes e em que os recursos
destinados à educação ainda são mínimos,
se usarmos de eufemismo.
Por
fim, vale destacar a presença de uma análise sobre
obras de quadrinhos em sua contemporaneidade com o medo do terrorismo,
reflexões sobre o conceito de soberania em estudos de Política
e História e uma viagem pela maniqueização
e posterior sincretismo das missões ultramarinas européias
pela África no contato entre as crenças do colonizador
e do colonizado.
Boa
leitura!
Carlos
Hollanda - editor
Doutorando - PPGAV - Programa de Pós-Graduação
em Artes Visuais (EBA-UFRJ)
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
11/10/2011